Porque os dentes não crescem como os cabelos?


Dentes e cabelos são estruturas que já se formam no útero materno,  porém   possuem constituição, função e forma de desenvolvimento diferentes.

Os dentes se formam a partir de células do epitélio bucal e outros grupos de células que constituem  uma estrutura chamada lâmina dentária, onde serão implatados, em primeiro lugar, os dentes chamados  decíduos, ou seja, os 20 dentes de leite. Logo depois, é formada uma segunda lâmina dentária chamada  lâmina de substituição  onde irão se formar  os dentes permanentes que substituirão os dentes de leite. Apesar dos bêbes nascerem sem dentes, estes  já se encontram nas diversas fases de desenvolvimento no interior da estrutura óssea das arcadas dentárias. Nos primeiros anos aparece a dentição decidual ou de leite e mais tarde a dentição permanente. Tanto a lâmina dentária como a lâmina de substituição iniciam sua função na sexta semana pré natal e continuam até os 15 anos com a formação dos terceiros molares.

Os cabelos são um tipo de pelo. Os pelos são estruturas constituídas por um maciço de queratina, um tipo de proteína, que são produzidas pelo folículo piloso, estrutura que fica na derme (camada profunda da pele). Estima-se que haja cinco milhões de folículos pilosos no corpo de um adulto. No couro cabeludo, que é a pele que reveste o crânio, há 100.000 destes folículos pilosos produzindo o cabelo. Vale lembrar que cada pelo cresce de um único folículo.

O crescimento dos cabelos é feito por ciclos. O primeiro ciclo compreende o crescimento ativo  do cabelo. Costuma durar entre três a seis anos, no couro cabeludo. O segundo período, que tem duração de mais ou menos três semanas,  é o período em que há uma parada  de replicação das células que produzem a queratina de formação do cabelo. O terceiro período é fase em que o cabelo cai, ou seja, se desprende do canal que o segura a raiz do folículo. É bom lembrar que cada fio de  cabelo está numa fase diferente, já que, se todos os cabelos estivessem na mesma fase, a cada final de um ciclo de crescimento haveria uma perda de cabelo total e a  pessoa ficaria calva.

Como podemos observar, os dentes se formam definitivamente como serão por toda nossa vida ainda no utero, porém esta forma definitiva só aparece após o nascimento e com nosso desenvolvimento. Já os cabelos tem as células que o formam trabalhando de forma diferente, fazendo com que cada folículo que o produz tenha um ciclo para crescimento por isso sempre teremos alguns fios caindo e outros crescendo.

FONTE: iGeduca

Genes envolvidos em má formação dentária são estudados


Dentes que não nascem, manchas no esmalte e dentição com características irregulares são alguns problemas que podem ocorrer durante a formação dentária.

Estudá-los de maneira ampla foi o objetivo do Projeto Temático “Defeitos na formação do órgão dental”, que teve o apoio da FAPESP.

Um dos objetos de estudo foi o efeito do flúor na ocorrência de manchas no esmalte do dente. Considerada uma má formação branda, esse problema ocorre durante a formação da matriz orgânica e calcificação do dente e afeta principalmente o seu esmalte.

Apesar de ser composto basicamente por minerais, o esmalte dentário começa a se formar a partir de uma matriz proteica, e nessa fase o dente já sofre a ação do flúor.

Foi desenvolvido um método que utiliza microscopia de luz polarizada e permite estudar o estado de agregação das proteínas do esmalte dentário.

Já se sabia que o flúor atinge o esmalte dentário, no entanto a equipe da FOP mostrou como isso ocorre. Mostraram que o flúor desorganiza a matriz proteica do esmalte dentário durante a sua formação.

Outra alteração encontrada no esmalte dentário analisada no projeto foi a amelogênese imperfeita, um problema provocado por mutações de diferentes genes relacionados à formação dessa parte do dente.

Essa anomalia pode se manifestar de diferentes formas, como, por exemplo, um esmalte dentário duro, de espessura fina e cheio de irregularidades. Na forma mais comum da doença, o esmalte surge com uma consistência mole e, ao ser desgastado pela mastigação, acaba desaparecendo e expondo a dentina, a parte interna do dente.

Com isso, a doença apresenta consequências estéticas e também funcionais porque após o desgaste pode sobrar apenas um pedacinho do dente.

O levantamento genético teve a participação dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). Nessa etapa, foram estudadas famílias que tinham pessoas com a doença para identificar os genes relacionados à sua ocorrência.

Nenhum dos casos testados apresentou correlação com a amelogênese imperfeita. Mesmo assim, os resultados são importantes, pois foram analisados todos os genes relacionados à formação do esmalte e agora sabemos que eles, isoladamente, não são responsáveis pela doença, o que indica que outros genes estão envolvidos.

Dentes que não se formam

Foi investigado também a ausência do processo de formação do dente, chamada de “agenesia dentária”, cuja maior ocorrência está entre os dentes incisivos laterais superiores e terceiros molares, conhecidos como dentes do siso. Em casos mais graves, poucos dentes são formados, causando sérios problemas de mastigação e de fala, além dos relacionados à estética.

Para estudar essa enfermidade, foi analisado os polimorfismos de um gene chamado PAX9 e conseguiram relacionar alguns deles à agenesia de dentes molares, principalmente o dente do siso.

O trabalho exigiu a coleta de DNA de pacientes que sofrem de agenesia. Com isso, os pesquisadores puderam comparar regiões do DNA com o de pessoas sadias e, dessa forma, identificar possíveis trechos envolvidos com a doença.

Pretende-se aprofundar os estudos nas regiões identificadas do PAX9 que apresentaram maior probabilidade de estar relacionadas aos problemas dentários.

FONTE: Agência FAPESP

Começou pelos dentes


Caíram todos os dentes. Todos meus dentes caíram. Uns depois dos outros. E quanto mais eu passeava a língua na boca, mais cacos desprendiam-se. O que irá sobrar depois? Vou ao dentista e ele me põe uma bela dentadura, linda e perfeita. Sorriso de piano, quero um sorriso de piano. Vou gostar de sorrir, agora que terei essa nova janela, toda branca. Mas estou sentindo uma coisa estranha, a minha boca como que paralisada, deformada. Não consigo mais fechá-la. Olho-me no espelho e assusto-me com o reflexo prognata.

Sorrio com a deformação e lá estão os dentes. Mas eles não tinham caído? Caíram ou não caíram?

Irei ao dentista consertar isso. Ele deve ter uma explicação. O que me incomoda agora não é a falta de dentes, já que ainda tenho dentes, mas essa boca que não fecha.

Abro a boca novamente de frente para o espelho. Ela abre mais que de costume.

[…]

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