O cuidado com os dentes pode ajudar pessoas com diabetes


Estudo mostrou que tratar a doença periodontal grave em pacientes com diabetes pode ajudar a reduzir seus níveis de açúcar no sangue.

Pesquisadores da Universidade de Edinburgh descobriram que a redução da inflamação das gengivas em pacientes com diabetes pode ajudar a reduzir o risco de complicações graves associadas à condição, como problemas oculares e problemas cardíacos. O estudo analisou os resultados de pesquisas anteriores sobre a relação entre o diabetes e a doença de gengiva grave, conhecida como doença periodontal.

A equipe analisou os resultados de três estudos anteriores para mostrar que existe um benefício pequeno, mas significativo para o tratamento da doença periodontal em pessoas com diabetes.

Os pesquisadores acreditam que quando as bactérias infectam a boca e causam inflamação, as alterações químicas resultantes reduzem a eficácia da insulina e aumentam os níveis de açúcar no sangue. O tratamento odontológico para reduzir esta inflamação pode, portanto, ajudar a reduzir os níveis de açúcar no sangue dos pacientes diabéticos.

A equipe diz que suas descobertas destacam a necessidade de médicos e dentistas trabalharem em conjunto no tratamento de pessoas com diabetes.

“De longe o aspecto mais importante da gerência do diabetes é o uso de insulina, medicamentos e dieta para controlar os níveis de açúcar no sangue, mas manter uma boa saúde dentária é algo que pacientes e profissionais de saúde também devem reconhecer como fator de ajuda”, avalia o pesquisador Terry Simpson. “Embora o benefício em termos da gestão de insulina seja pequeno, qualquer coisa que pudermos fazer para promover o bem-estar das pessoas com diabetes deve ser saudado”.

Os pesquisadores afirmaram que há necessidade de mais pesquisas para compreender totalmente a relação entre as condições.

FONTE: e! Science News

Anúncios

Evidências comprovam ligação entre a inflamação na gengiva e o Alzheimer


Pesquisadores descobrem prova de que a doença periodontal contribui para a inflamação do cérebro e para a neurodegeneração.

Dentistas da New York University, nos Estados Unidos, encontraram a primeira prova de longa duração de que a doença periodontal (na gengiva) pode aumentar o risco de disfunção cognitiva associada à doença de Alzheimer em indivíduos saudáveis, bem como naqueles que já estão cognitivamente alterados.

O estudo oferece novas evidências de que a inflamação gengival pode contribuir para a inflamação do cérebro, para a neurodegeneração e assim, para a doença de Alzheimer.

A equipe, liderada pela pesquisadora Angela Kamer, analisou 20 anos de dados que suportam a hipótese de um possível nexo de causalidade entre a doença periodontal e a doença de Alzheimer.

“A pesquisa sugere que os indivíduos cognitivamente normais com inflamação periodontal têm um risco aumentado de menor função cognitiva em comparação com indivíduos cognitivamente normais com pouca ou nenhuma inflamação periodontal”, disse Kamer.

As últimas descobertas de kamer são baseadas em uma análise de dados sobre a inflamação periodontal e a função cognitiva em 152 indivíduos no Glostrop Aging Study, que tem reunido dados médicos, psicológicos, sociais e de saúde bucal entre homens e mulheres dinamarqueses.

A equipe de pesquisa comparou a função cognitiva nas idades de 50 e 70 anos, utilizando o Digit Symbol Test (DST), uma parte da medida padrão do QI adulto. O DST avalia a rapidez com a qual os participantes podem ligar uma série de dígitos, como 2, 3, 4 a uma lista correspondente de símbolo dígitos pares, como 1 / -, 2 / – … 7 / ?, 8 / X, 9 / =.

Kamer descobriu que a inflamação periodontal aos 70 anos de idade estava fortemente associada com menores marcas de DST. Indivíduos com inflamação periodontal tiveram nove vezes mais chances de se saírem pior no DST em comparação com indivíduos com pouca ou nenhuma inflamação periodontal.

Esta forte associação se mostrou verdadeira mesmo em indivíduos que tinham outros fatores de risco ligados à menor pontuação DST, incluindo a obesidade, tabagismo e perda de dentes alheios a inflamação da gengiva. A forte associação se aplica também nos indivíduos que já tiveram uma pontuação baixa em DST aos 50 anos de idade.

O plano de Kamer é realizar um estudo seguimento que envolve um grupo etnicamente mais diversificado e maior para continuar a analisar a ligação entre a doença periodontal e a baixa cognição.

FONTE: Science Daily

Cuide da boca e evite doenças em outras partes do corpo


DA BOCA PARA O CORPO

Muito mais que garantir um sorriso bonito, cuidar rigorosamente dos dentes espelha saúde nos quatro cantos do organismo. E, aí, o portal por onde entram os nutrientes e de onde saem as palavras não abre alas para problemas sérios no estômago, nos pulmões e até no coração.

Quem tem boca pode ir ao céu ou ao inferno. E esse destino só depende da atenção reservada a ela no dia-a-dia. Aqueles mandamentos que a gente conhece, mas nem sempre segue à risca, não são apenas indispensáveis à preservação da língua, da gengiva e de cada dente. Eles também ajudam a evitar infortúnios em outras redondezas do corpo. Sem exagero. Uma saúde bucal deficiente repercute em cheio nos vasos sangüíneos, nas articulações e em órgãos que, aparentemente, não mantêm íntimo contato com os dentes. Só aparentemente.

Não podemos enxergar a boca de maneira isolada. A boca também tem corpo. A maioria dos estragos eclodidos na boca é protagonizada por uma infinidade de bactérias. Ora, a cavidade bucal é um verdadeiro Olimpo para esses microorganismos. E, justiça seja feita, nem todos eles são malignos ali existe uma flora bacteriana essencial à digestão dos alimentos, por exemplo. O problema é quando a escova e o fio dental são deixados de escanteio. Aí os micróbios nocivos, por trás das cáries, da gengivite e da periodontite, proliferam-se e levam ao caos. Mesmo em uma boca saudável, há 200 milhões de microorganismos em 1 grama de placa bacteriana. Se ela estiver a caminho da ruína, então, o número pode bater a casa do bilhão. E as ameaças também se multiplicam.

Se a gente mata a fome e se esquece da higiene bucal, poucas horas são suficientes para a formação da famigerada placa bacteriana. Num processo contínuo, micróbios e mais micróbios se unem para monopolizar os dentes e a gengiva. E é assim que a placa, também chamada biofilme, torna-se mais espessa, chegando às vezes ao ponto de ser vista a olho nu. Com os ventos a seu favor, as bactérias vilãs passam a subjugar as espécies do bem. A placa propicia o aparecimento de dois problemas: a cárie e a doença periodontal. A primeira, arquitetada pela bactéria Streptococcus mutans, mina aos poucos o próprio dente. Mas a segunda, que começa como uma gengivite e evolui para uma periodontite, é mais assustadora. Ela detona toda a estrutura que liga o dente à gengiva e ao tecido ósseo.

A doença periodontal é mais assustadora, porque a cárie provoca dor e ela não. No começo, só produz sangramentos na gengiva. Ou seja, poucos lhe dão a devida atenção. São mais de 100 tipos de micróbios envolvidos com a patologia, que, se não tratada a tempo, faz os dentes desabarem. Ela é silenciosa e suas bactérias são mais agressivas. De cair o queixo também é a estimativa da incidência do problema no país. Oito em cada dez brasileiros adultos têm desde uma gengivite até seu estágio avançado.

As bactérias traiçoeiras fazem das lesões na gengiva e da corrosão do espaço entre dente e osso o seu portão de embarque para a corrente sangüínea. Alguns tipos mais terríveis compram, então, o bilhete para viajar até o coração, onde simplesmente estacionam. A doença periodontal aumenta o risco de problemas cardiovasculares. Pior ainda para quem já tem um defeito em uma válvula cardíaca, por exemplo esse sujeito fica, então, tremendamente suscetível à endocardite. Quando vamos ver, de cada dez pacientes com essa doença, de alta mortalidade, quatro ou cinco têm as bactérias na cavidade bucal.

Outra constatação recente é que pessoas com níveis de colesterol e triglicérides elevados podem ser reféns do ataque desses micróbios às artérias. Há trabalhos recentes demonstrando que algumas bactérias colaboram na formação de placas nos vasos sangüíneos, agravando o entupimento provocado pela gordura,. As agressoras, portanto, tornam-se o gatilho para a erupção de um infarto ou um derrame.

PERIGO EM DOSE DUPLA

O conflito que começa na boca semeia o suplício no corpo inteiro, principalmente se o dono dele for um diabético ou uma gestante. No caso das grávidas, a doença periodontal estimula o parto prematuro. Isso porque, quando as células de defesa rumam até a cavidade bucal para lutar com as bactérias, também liberam na circulação algumas substâncias as citocinas e as prostaglandinas que desregulam algumas funções em outros locais do organismo. E essas substâncias costumam acelerar o trabalho de parto.

Os diabéticos são um caso à parte. Vivem numa situação duplamente complicada. O açúcar que se acumula na circulação por causa do distúrbio favorece todo tipo de problema de inflamações a abscessos nas mucosas. E, se nada disso é tratado, a produção de substâncias inflamatórias é tal que desencadeia de vez uma série de mecanismos no organismo, inclusive aquele que faz a insulina ser utilizada direito. Problemas como a doença periodontal alimentam o diabete. Há indícios de que, quando ela é resolvida, a glicemia fica sob controle com maior facilidade.

Todo mundo sabe, mas não custa reforçar: além da  prevenção diária, a visita ao dentista é pré-requisito de uma boca em ordem. Até porque existem problemas, como restaurações em decadência e dentes mal posicionados, que só podem ser resolvidos no consultório. E saiba que, quando não remediados, eles só oferecem mais dor de cabeça à sua vida. Literalmente. Setenta por cento das disfunções temporomandibulares (DTM) são relacionadas ao mau posicionamento dos dentes. E, por sua vez, a tal DTM é que muitas vezes aciona o incômodo constante na cabeça.

Depois de tantas evidências, já deu para perceber que dentes saudáveis afastam males da cabeça aos pés. E isso, sim, é motivo de infindáveis sorrisos.

FONTE: http://saude.abril.com.br/edicoes/0299/medicina/conteudo_283019.shtml?pag=1

Doença Periodontal & Acidentes Cerebrovasculares


RESUMO

As doenças cardiovasculares, entre elas os acidentes vasculares cerebrais, são responsáveis por 20% de todas as mortes anualmente. Estudos têm evidenciado a associação das doenças periodontais com fatores inerentes ao hospedeiro como fumo, doenças sistêmicas, estresse, obesidade e outros.

Recentemente, a doença periodontal tem sido estudada como fator de risco para a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais.

REVISÃO DE LITERATURA

A aterosclerose, que representa a doença cardiovascular mais freqüente e também o principal fator etiológico da mesma, é uma condição crônica progressiva que afeta artérias e músculos, se caracterizando pela formação de ateroma e acúmulo de lipídios/proteínas em contato com grandes e médias artérias. Aterosclerose reduz o lúmen arterial e predispõe à trombose coronária, obstrução e fenômeno isquêmico. Pode ainda provocar eventos súbitos como infarto do miocárdio ou acidentes cerebrovasculares (derrame).

A aterosclerose tem um componente inflamatório, sendo mais que um simples acúmulo de lipídios. A presença de certos agentes infecciosos pode levar a um aumento do risco de doenças cardiovasculares. Neste contexto, as infecções periodontais podem ser consideradas um dos vários fatores que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Embora os mecanismos precisos desta interação não estejam claros, dois mecanismos biológicos podem explicar a relação entre doença cardiovascular e doença periodontal: 1) bactérias da doença periodontal podem entrar na circulação e contribuir diretamente para o processo ateromatoso e trombótico; 2) fatores sistêmicos alteram o processo inflamatório envolvido em ambas as doenças. Estudos interventivos prospectivos são necessários para determinar a ligação exata entre doença periodontal e doença cardiovascular, assim como avaliar se o tratamento periodontal pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença cardiovascular.

Níveis de proteína C elevados em pacientes com doença periodontal e diminuídos durante/após a terapia periodontal demonstram a associação de doença periodontal com níveis sistêmicos elevados de ativadores das proteínas de resposta da fase aguda como a proteína reativa C e haptoglobina. Isso demonstra que a doença periodontal leva a alterações na resposta inflamatória que pode influenciar na ocorrência de acidente vascular cerebral.

Os portadores de doenças periodontais estão expostos às endotoxinas e lipopolissacarídeos de microrganismos periodontais o que afeta a integridade do endotélio, coagulação sangüínea e função plaquetária, assim como provoca uma resposta imunológica com produção de mediadores inflamatórios. Estes levam a um aumento no desenvolvimento de lesões ateroscleróticas e eventos tromboembolíticos.

CONCLUSÃO

Apesar de estudos mostrarem evidências da doença periodontal como fator de risco para os acidentes vasculares cerebrais, os mecanismos biológicos que ligam as duas doenças ainda não estão totalmente esclarecidos. Estudos adicionais devem ser realizados para esclarecer esta associação, bem como medidas preventivas devem ser realizadas, visando prevenir a ocorrência de ambas as doenças.

Por Drª Vivian Bernhard
Especialista em Periodontia & Implantodontia
Habilitação em Laser na Odontologia.
Graduação em Odontologia
REFERÊNCIAS

1. DIAS et al., A Doença Periodontal Como Fator de Risco Para os Acidentes Cerebrovasculares. Pesq Bras Odontoped Clin Integr, João Pessoa, 7(3):325-329, set./dez. 2007

A Osteoporose e a sua relação com a Doença Periodontal


RESUMO

A osteoporose é definida como uma doença sistêmica que envolve perda de massa óssea, resultante de um desequilíbrio entre reabsorção e formação óssea. A etiologia da doença periodontal como uma infecção bacteriana está bem determinada. O resultado desta infecção bacteriana é a perda da inserção de tecido mole e reabsorção do osso alveolar, o qual leva à perda dental e edentulismo em adultos. A despeito de suas etiopatogenias, tanto a osteoporose quanto a doença periodontal apresentam comprometimento do metabolismo ósseo. Por tal razão, tem sido sugerida uma correlação entre estas duas patologias. Entretanto, a interpretação da literatura é complicada pela variedade de métodos usados para verificar-se a osteoporose, a massa óssea oral e a doença periodontal. A revisão da literatura sobre a correlação entre estas desordens é limitada e aponta a necessidade de estudos adicionais. O melhor entendimento desta relação pode ajudar os provedores da saúde, em seus esforços para detectar e prevenir a osteoporose e a doença periodontal.

REVISÃO DE LITERATURA

Osteoporose é uma doença esquelética sistêmica que se caracteriza por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com conseqüente aumento da fragilidade óssea e susceptibilidade a fraturas.

Os maxilares fazem parte do esqueleto e como tais estão suscetíveis às mudanças que ocorrem nos mesmos com o passar dos anos.

Osteoporose e doença periodontal são doenças multifatoriais, crônicas e ambas dividem fatores de risco comuns como: fatores genéticos, dieta, fatores meio ambientais e fatores sistêmicos.

Enquanto a doença periodontal é uma doença local, a osteoporose é uma doença sistêmica. A perda óssea é um achado comum entre elas, sendo influenciada por fatores locais e sistêmicos, além de terem alguns fatores de risco em comum. Há uma plausibilidade biológica que, pelo menos em parte, a destruição do periodonto é afetada pela perda óssea sistêmica.

Muitos progressos têm sido feitos na compreensão da relação entre doença periodontal e saúde sistêmica. Há muito tempo, pensava-se que a periodontite era uma conseqüência do envelhecimento.  Contudo, aprendeu-se que com o passar dos anos nem todas as pessoas são de igual risco a desenvolver periodontite. Agora está sendo reconhecido no mundo todo que certas doenças sistêmicas, tais como osteoporose ou diabetes, podem aumentar o risco para doença periodontal

A osteoporose, por outro lado, aumenta o risco para doença periodontal e tem sido hipotetizado que esta enfermidade pode ocasionar uma diminuição da densidade do osso alveolar, tornando-o mais susceptível à reabsorção pelo efeito ou de coexistir ou subseqüente inflamação ou infecção periodontal. Ainda que a osteoporose não inicie a doença periodontal, ela pode afetar o curso da doença, pela redução da densidade mineral óssea e massa do trabeculado ósseo oral.

A perda dentária na região posterior pode estar associada com a diminuição do nível ósseo e da densidade mineral óssea alveolar, e esta última com a diminuição da densidade mineral óssea da vértebra lombar, havendo relação positiva entre a diminuição da massa óssea mandibular e os dentes perdidos.

Há um interesse muito grande nos estudos do relacionamento entre osteoporose sistêmica, perda óssea oral, perda dentária e os fatores de risco para estas condições, pela severidade da perda óssea alveolar ir aumentando com a idade.

Alguns sinais da osteoporose podem ser detectados na região de atuação do cirurgião-dentista. Dentre esses sinais podem ser citados: diminuição da densidade mineral óssea da mandíbula e do côndilo, redução da espessura do córtex mandibular, severa reabsorção do rebordo residual, extensa reabsorção óssea alveolar pós-exodontia, redução do número de trabéculas ósseas e conseqüentemente do volume ósseo na região interradicular, além de aumento do número de dentes perdidos. Por meio de radiografias panorâmicas convencionais, é possível detectar alguns desses sinais. Desse modo, considerando-se que a osteoporose é uma doença “silenciosa”, em que a perda óssea ocorre sem apresentar sintomas, o cirurgião-dentista exerce importante papel no seu diagnóstico. Ao observar sinais compatíveis com essa patologia, o profissional pode realizar um diagnóstico prévio da doença e encaminhar o paciente à realização de exames para o diagnóstico conclusivo e o tratamento adequado. Dessa maneira, o cirurgião-dentista pode contribuir para o diagnóstico, o prognóstico, bem como para a prevenção das complicações decorrentes da osteoporose.

A osteoporose, por si só, parece não contra-indicar por completo a realização de tratamentos odontológicos envolvendo os ossos maxilares, visto que, nessas estruturas, os efeitos da osteoporose são menores que em outros ossos. Porém, em casos de processos inflamatórios instalados, a deficiência estrogênica pode potencializar a perda óssea.

CONCLUSÃO

A osteoporose não representa o fator etiológico principal da doença periodontal, todavia em função da perda de massa óssea observada, pode agir como um fator modificador na patogênese da doença periodontal.

Os fatores de risco que contribuem para o estabelecimento da osteoporose também podem contribuir para o agravamento da doença periodontal, perda dentária e perda óssea maxilar,e são: o avanço da idade, o hábito de fumar, a menopausa e a falta de reposição hormonal e uma vida sedentária.

Por Drª Vivian Bernhard
Especialista em Periodontia & Implantodontia
Habilitação em Laser na Odontologia.
Graduação em Odontologia
REFERÊNCIAS

1. BERNHARD, Vivian R. A Osteoporose e a sua relação com a Doença Periodontal. Vila Velha, ES. [Monografia para obtenção do título de Especialista em Periodontia]. 2009. 54p.

Baixar arquivo em PDF: BERNHARD,V A Osteoporose e a sua relação com a Doença Periodontal

Doença Periodontal & Tabaco


RESUMO

O consumo de tabaco tem sido considerado um potente fator de risco para muitas doenças, tendo um enorme efeito deletério no padrão da saúde geral dos indivíduos. Vários estudos revelam uma alta prevalência e severidade de doença periodontal em fumantes. Este estudo tem por finalidade apresentar uma revisão bibliográfica sobre o hábito de fumar associado ao aparecimento da doença periodontal.

REVISÃO DE LITERATURA

A relação entre fumo e a prevalência e severidade da doença periodontal tem sido discutida há muito tempo e pesquisas recentes têm sugerido que o hábito de fumar é um dos fatores de risco mais significativos para seu desenvolvimento e progressão. As razões para esta associação entre fumo e doenças periodontais ainda são desconhecidas. Porém vários estudos têm demonstrado a alta prevalência e maior gravidade da doença periodontal em indivíduos tabagistas.

Apesar de toda a conscientização, 4 milhões de pessoas morrem todo ano de problemas decorrentes do fumo e a Organização Mundial da Saúde estima que em 2020 serão 10 milhões. Tais números, obviamente, não chegam todo dia ao cidadão comum. Principalmente se esse cidadão está entrando na adolescência e tem coisas mais importantes a fazer do que ficar se prendendo a estatísticas. Mas as evidências estão aí, e não são poucas. Mesmo assim, muitas pessoas continuam fumando.

As agradáveis tragadas podem levar a problemas que, normalmente, não são diretamente relacionados pelos leigos. São os casos das doenças da boca. Quem fuma tem 4 vezes mais chances de possuir periodontite (doença que causa a destruição do osso que sustenta os dentes). Isso porque o fumo aumenta a descamação da mucosa oral, provaca aquecimento da gengiva, destruição do tecido ósseo e pode ter como conseqüência sérios problemas dentais.

Há a possibilidade de ocorrer outro problema, bem menos grave do ponto de vista físico, mas que representa um golpe fortíssimo naqueles que têm no cigarro uma forma de socialização: o desagradável mau hálito, aquele cheiro de ovo podre que costuma afastar as pessoas. Os fumantes têm mais possibilidades de serem vítimas desse problema. Confirmando o que estamos dizendo, basta verificarmos que os fabricantes de cigarro, preocupados com o fato, estão adicionando certas substâncias aromatizantes ao fumo, com o objetivo de neutralizar o odor desagradável que causa, sem contudo obterem êxito.

Podemos observar na boca de um fumante a atrofia das papilas gustativas, alterando a sensação do gosto dos alimentos. Pode trazer também uma série de transtornos, como redução do fluxo salivar, manchamento dos dentes, estomatites e até doenças mais graves como o câncer de mucosa bucal. Há uma relação direta entre o fumo e o carcinoma epidermóide, que é o principal tipo de câncer bucal.

A nicotina em baixas concentrações pode estimular a quimiotaxia dos neutrófilos, mas em altas concentrações pode prejudicar a fagocitose. Há também relatos que nos fumantes ocorre uma diminuição dos níveis de anticorpos salivares (IGA) e séricos (IgG) para P. intermedia e F. nucleatum, além de possuírem uma redução nos linfócitos.

Assim, ocorre um comprometimento na resposta imunológica estabelecendo ou agravando a doença periodontal e, conseqüentemente acarretando reabsorção óssea, perda de inserção periodontal e aumento da profundidade de sondagem. Tais processos são coordenados por citocinas pró-inflamatórias e ósteo-reabsortivas.

A nível de cavidade bucal também estão descritos vários efeitos adversos do tabagismo no tecido ósseo. Sendo assim, fumantes apresentam um risco acrescido de perda óssea alveolar, mobilidade dentária e perda dentária precoce, reabsorção da crista alveolar, atraso na cicatrização da ferida pós extração dentária, doença periodontal, mobilidade em enxertos ósseos e falência na osteointegração de implantes.

CONCLUSÂO

A doença periodontal pode ter seu curso evolutivo agravado por questões relacionadas com o hábito de fumar. Mostrando assim uma possível associação entre a prevalência e a severidade da doença periodontal com o tabagismo.

Como a severidade da doença periodontal está relacionada à duração e a quantidade de cigarros fumados,  observa-se que os dentistas devem adotar um novo papel, o de instruir a população e engajar-se em campanhas anti-tabagismo, orientando seus pacientes sobre os riscos de contrair doenças através do fumo, exercendo assim a função de um verdadeiro promotor de saúde.

Por Drª Vivian Bernhard
Especialista em Periodontia & Implantodontia
Habilitação em Laser na Odontologia.
Graduação em Odontologia
REFERÊNCIAS

1. FEDI JÚNIOR, Peter F.; VERNINO, Arthur R. Fundamentos de Periodontia. 3. ed. São Paulo : Ed. Premier, 1998. 221p.

2. GOMES, Célio. O Tabagismo e a boca. Disponível em: < http://www.tabagismoonline.com.br/entendendo-melhor/odontologia/o-tabagismo-e-a-boca/ >. Acesso em: 04 de agosto de 2010.

3. LINS, R.D.A.U. O relevante papel do fumo como fator modificador da resposta imune na doença periodontal.  Revista Brasileira de Odontologia, v62, n1 e2, p.128-131, 2005.

4. NOGUEIRA FILHO, Getúlio da R. et al. O fumo como fator de risco à doença periodontal. Revista de Peridontia, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 20 – 23, jan/jun. 1997.

5. OBICI, Leonardo Lamberti; JOLY, Júlio César; LIMA, Antônio Fernando Martoretti de. Hábito de fumar e doença periontal em jovens. Revista de Periodontia, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 71 – 76, jul/dez. 1997.

6. PEREIRA, M.L.L; COSTA, M.A; FERNANDES, M.H.R. Efeito da nicotina na morfologia e proliferação de células  do osso alveolar em diferentes fases de diferenciação. Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial, v46, n2,, 2005.

7. TORRES, B. S. Tabagismo: o que você precisa saber. Google Livros Editora Universitária UFPE, p.225-227, 2005.

Doença Periodontal & Diabetes


RESUMO

O diabetes Mellitus é uma desordem patológica de origem endócrina que provoca inúmeras alterações de ordem sistêmica. Tem sido considerado que o diabetes influencia na instalação e progressão da doença periodontal, a exemplo da dificuldade cicatricial, mas também sofre influência da mesma, posto que o curso clínico da doença periodontal pode alterar o metabolismo da glicose e, conseqüentemente, dificultar o controle do diabetes. Desta forma, a estreita relação entre a doença periodontal e diabetes tem sido motivo de preocupação entre os cirurgiões-dentistas. É, pois, objetivo deste trabalho revisar a literatura pertinente no que concerne às possíveis associações entre diabetes e doença periodontal.

INTRODUÇÃO

A boca, por não ser um órgão isolado do corpo humano, deve ser vista como parte integrante deste, influenciando e sendo influenciada pelo mesmo. A saúde oral, portanto, deve estar inserida no contexto da saúde geral e sistêmica.
O Diabetes Mellitus (DM) é uma das doenças mais freqüentes nas sociedades modernas. É importante destacar que cerca de 7,6% da população brasileira é portadora do diabetes e 46% dos que apresentam tal patologia, ainda não foram diagnosticados. É certo que muitos diabéticos desconhecem que a boa higiene oral pode se transformar numa excelente aliada no controle da glicemia e melhorar a qualidade de vida dos doentes.

REVISÃO DE LITERATURA

O Diabetes Mellitus pode ser conceituado como uma alteração metabólica caracterizada por hiperglicemia e glicosúria, refletindo uma distorção no equilíbrio entre a utilização de glicose pelos tecidos, liberação de glicose pelo fígado, produção e liberação de hormônios pancreáticos, da hipófise anterior e da supra renal.

Constitui uma síndrome caracterizada por ausência relativa ou absoluta de insulina, pela alteração do metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. As alterações nos níveis da insulina podem ser devidas à produção de antagonistas que inibem sua ação, à interferência de outros hormônios, à diminuição ou ausência de receptores para este hormônio, ou mesmo a sua incapacidade de produção pelo pâncreas. A insulina é produzida pelas células beta das ilhotas de Langerhans cuja principal função é facilitar e permitir a interação e absorção da glicose através das membranas das células adiposas, hepáticas e musculares.

Quando a quantidade de insulina é pequena, como ocorre nos pacientes diabéticos não-compensados, a reparação dos tecidos lesados é mais lenta. A mobilidade dos tecidos na cavidade bucal é naturalmente acentuada devido à fonação e, especialmente, à mastigação dos alimentos. Tais tecidos são bastantes resistentes à tração mecânica, embora tal resistência seja proporcional à quantidade de colágeno que estiver sendo sintetizado. No paciente diabético não-compensado, a síntese de colágeno é mais lenta, o que significa maior facilidade para deiscência e contaminação de feridas cirúrgicas, causando retardo da reparação.

O fator determinante da doença periodontal é o biofilme dental (placa bacteriana), cujos efeitos são agravados frente às alterações histopatológicas e metabólicas características do diabetes. Graus variáveis de inflamação podem ser encontrados relacionados a um controle insatisfatório de placa. Alterações no ambiente subgengival, tais como aumento dos níveis da glicose e uréia no fluido crevicular gengival, favorecem o crescimento de algumas espécies bacterianas. As alterações vasculares apresentadas pelo doente descompensado têm estreita relação com a instalação e progessão da doença periodontal.

O fator causal primário de desenvolvimento das alterações vasculares no diabético é a prolongada exposição à hiperglicemia. Essas alterações impedem a difusão do oxigênio, a eliminação de metabólitos, a migração de leucócitos e a difusão de fatores imunes (quimiocinas, por exemplo), contribuindo para o agravamento da periodontite no diabético.

O diabetes compromete a produção da matriz óssea pelos osteoblastos, diminui a síntese de colágeno pelos fibroblastos gengivais, além de aumentar a atividade da colagenase gengival. O difícil controle da cicatrização tecidual no diabético decorre da presença de hiperglicemia, microangiopatias, acidez metabólica, fagocitose ineficaz pelos polimorfonucleares e macrófagos.

O meio bucal torna-se mais susceptível à placa bacteriana, causadora da gengivite e periodontite, que acomete todo o sistema de sustentação dos dentes: gengiva, osso e ligamento periodontal. O diabético não-controlado, no entanto, ao se encontrar nesse quadro clínico, pode gerar complicações, como a perda de dentes e xerostomia, que pode causar dificuldade em falar e comer.

O paciente com doença periodontal e diabetes, se encontra em maiores chances de perder os dentes, porque todo o sistema de suporte vai estar envolvido e prejudicado pela placa bacteriana. Já a xerostomia – diminuição do fluxo salivar – é altamente prejudicial, uma vez que ela protege os dentes e a gengiva. A saliva funciona como uma solução tampão e bloqueia muitos desenvolvimentos dos processos microbiológicos, o que ajuda o organismo a combater essas bactérias.

O tratamento odontológico em indivíduos diabéticos só pode ocorrer se a doença sistêmica estiver controlada. A doença periodontal – ocasionada por infecção – não tratada regularmente, pode afetar a diabetes do paciente, de maneira negativa. Já, ao contrário, o diabético não-compensado agrava sua periodontia.

CONCLUSÃO

Diabéticos apresentam maior risco de desenvolver doença periodontal. Portanto, é importante consultar um periodontista com periodicidade. Diabéticos com doença periodontal apresentam um pior controle metabólico que diabéticos sem doença periodontal. O tratamento periodontal pode melhorar o controle metabólico, reduzindo os níveis de glicemia. O bom controle metabólico, com acompanhamento médico, uma boa higienização bucal, e consultas periódicas com o cirurgião dentista são importantes para manter uma boa saúde bucal.

Por Drª Vivian Bernhard
Especialista em Periodontia & Implantodontia
Habilitação em Laser na Odontologia.
Graduação em Odontologia
REFERÊNCIAS

1. Brasileiro Filho G. Bogliolo-Patologia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan,2000.6 ed.

2. Brondani MA, Brondani AR, Bós AJG. Diabetes e periodontite : a hora e a vez da medicina periodontal. V.82, n.1 e 2, p.32-34, jan/fev. 2002.

3. Carrasco, J. Equilíbrio: relação entre doença periodontal e diabetes. Disponível em: < http://www.olharvital.ufrj.br/2006/index.php?id_edicao=128&codigo=10 >. Acesso em: 03 de agosto de 2010.

4. Dennison DK, Gottesegen R, Rose, LF. Position Paper: Diabetes and Periodontal Diseases. V.96, n.67, p. 166-176, feb. 1966.

5. Guyton AC, Hall JE.Tratado de fisiologia médica. Rio de Janeiro: Editora Koogan,1997. 9 ed.

6. Gregori C, Costa AA, Campos AC. O paciente com diabetes melito. V.6, n.2, p.166-174, abr./ jun. 1999.

7. Lindhe J, Karring T, Lang N P. Tratado de Periodontia Clínica e Implantodontia Oral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan,1997. 3 ed.

8. Melgaço CA. Diabetes e a doença periodontal: Revisão da literatura. JBE, Curitiba, v.3, n.9, p.100-104, abr./jun. 2002.

9. Schneider M, Bernd G, Nurkim NL. Diabetes Mellitus e suas manifestações sobre o periodonto: uma revisão bibliográfica. Revista Odonto Ciência, n.20, p.89-98, 1995/2 Faculdade de odontologia/ PUC RS.

10. Tramontina RG, Lotufo R, Micheli G, Kon S. Diabetes: um fator de risco para doença periodontal. Quando? RGO, v.45, n..1, p.50-54, jan./fev.1997.