Genes envolvidos em má formação dentária são estudados


Dentes que não nascem, manchas no esmalte e dentição com características irregulares são alguns problemas que podem ocorrer durante a formação dentária.

Estudá-los de maneira ampla foi o objetivo do Projeto Temático “Defeitos na formação do órgão dental”, que teve o apoio da FAPESP.

Um dos objetos de estudo foi o efeito do flúor na ocorrência de manchas no esmalte do dente. Considerada uma má formação branda, esse problema ocorre durante a formação da matriz orgânica e calcificação do dente e afeta principalmente o seu esmalte.

Apesar de ser composto basicamente por minerais, o esmalte dentário começa a se formar a partir de uma matriz proteica, e nessa fase o dente já sofre a ação do flúor.

Foi desenvolvido um método que utiliza microscopia de luz polarizada e permite estudar o estado de agregação das proteínas do esmalte dentário.

Já se sabia que o flúor atinge o esmalte dentário, no entanto a equipe da FOP mostrou como isso ocorre. Mostraram que o flúor desorganiza a matriz proteica do esmalte dentário durante a sua formação.

Outra alteração encontrada no esmalte dentário analisada no projeto foi a amelogênese imperfeita, um problema provocado por mutações de diferentes genes relacionados à formação dessa parte do dente.

Essa anomalia pode se manifestar de diferentes formas, como, por exemplo, um esmalte dentário duro, de espessura fina e cheio de irregularidades. Na forma mais comum da doença, o esmalte surge com uma consistência mole e, ao ser desgastado pela mastigação, acaba desaparecendo e expondo a dentina, a parte interna do dente.

Com isso, a doença apresenta consequências estéticas e também funcionais porque após o desgaste pode sobrar apenas um pedacinho do dente.

O levantamento genético teve a participação dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). Nessa etapa, foram estudadas famílias que tinham pessoas com a doença para identificar os genes relacionados à sua ocorrência.

Nenhum dos casos testados apresentou correlação com a amelogênese imperfeita. Mesmo assim, os resultados são importantes, pois foram analisados todos os genes relacionados à formação do esmalte e agora sabemos que eles, isoladamente, não são responsáveis pela doença, o que indica que outros genes estão envolvidos.

Dentes que não se formam

Foi investigado também a ausência do processo de formação do dente, chamada de “agenesia dentária”, cuja maior ocorrência está entre os dentes incisivos laterais superiores e terceiros molares, conhecidos como dentes do siso. Em casos mais graves, poucos dentes são formados, causando sérios problemas de mastigação e de fala, além dos relacionados à estética.

Para estudar essa enfermidade, foi analisado os polimorfismos de um gene chamado PAX9 e conseguiram relacionar alguns deles à agenesia de dentes molares, principalmente o dente do siso.

O trabalho exigiu a coleta de DNA de pacientes que sofrem de agenesia. Com isso, os pesquisadores puderam comparar regiões do DNA com o de pessoas sadias e, dessa forma, identificar possíveis trechos envolvidos com a doença.

Pretende-se aprofundar os estudos nas regiões identificadas do PAX9 que apresentaram maior probabilidade de estar relacionadas aos problemas dentários.

FONTE: Agência FAPESP

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