Já ouviu falar em ATM?


Existem problemas de saúde que andam cercados de mistérios e mal-entendidos. A começar pelo nome. Há pessoas por aí que sofrem com dores nos maxilares e atribuem a desdita a uma doença chamada ATM. Vamos desfazer a primeira confusão. Essa sigla, ou melhor, a articulação temporomandibular a que ela faz referência, todo mundo tem. Se ela ou os músculos que a circundam estão em crise, aí, sim, há o que se chama de disfunção temporomandibular, a DTM.

Há mais de um tipo de DTM por trás de dores, dificuldades para mastigar ou falar, além de ruídos ou estalos ao abrir e fechar a boca. Até 40% da população se queixa de um sintoma que remeta à sigla dolorosa. Afeta principalmente quem tem entre 20 e 40 anos e duas vezes mais as mulheres. Em quase 70% dos casos o problema nem está na articulação em si, mas na musculatura ligada a ela.

O transtorno não apresenta causa específica, mas se acredita que, somados a uma propensão a ele, fatores como o estresse do dia a dia acionam a engrenagem da dor. Por essas e outras, flagrar a DTM e sua origem nem sempre é tarefa fácil.

As disfunções da mandíbula costumam trazer dor de cabeça. No sentido figurado: não é raro perambular entre médicos e dentistas atrás do motivo das aflições. E no sentido literal: a DTM pode causar dores de cabeça secundárias ou agravar enxaquecas já existentes. Há quem se entupa de analgésicos, negligenciando sem querer, o foco do desconforto. Embora o adulto seja seu alvo, a DTM também é capaz de atormentar crianças e adolescentes.

Apesar de complexa e rodeada de confusões, a DTM pode ser contra-atacada. Muitas vezes o tratamento exige não apenas o dentista, mas fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Para nossa sorte, as armas que enfrentam o transtorno estão cada vez mais afiadas. Se o ultrassom já rendia bons resultados, o raio laser de baixa potência, ainda novo nessa área, não decepciona.

O ultrassom promove um calor profundo na região, estimulando a dilatação dos vasos e diminuindo a inflamação local. O laser também surte efeito anti-inflamatório e incentiva a liberação de substâncias que aliviam a dor. Essas técnicas empatam em termos de eficiência, pois são, contudo, terapias de apoio, ou seja, não dispensam atacar as causas do problema.

Em muitos casos, só uma investigação minuciosa aliada a mudanças comportamentais desarticula a DTM. É preciso saber se o paciente range os dentes à noite ou os aperta durante o dia por causa da tensão. Só assim dá para traçar um plano de ação contra o suplício. A participação do paciente, aliás, é essencial. Ele precisa aprender o que é ruim para a sua condição e corrigir os erros. Nessas horas, fugir do estresse, que repercute na musculatura da ATM, já é mais do que um bom começo.

OS TIPOS DE DTM

Muscular: Versão mais comum do problema, caracteriza-se por um excesso de tensão que sensibiliza a musculatura, gerando dores difusas. Hábitos como mascar chicletes ajudam a perpetuá-la.

Articular: Defeitos anatômicos ou desgastes comprometem a articulação. As dores são mais localizadas.

Mista: Segunda forma mais frequente de DTM, mescla as desordens articular e muscular. Reverbera sobretudo nos músculos.

Reumatológica: Mais rara, é causada por uma degeneração do disco e da articulação temporomandibular que culmina em muita dor.

OS EXAMES

Avaliação clínica: Os especialistas afirmam que é o primeiro e mais importante passo no cerco ao problema. O dentista analisa a história e os sintomas relatados pelo paciente e verifica, por exemplo, se ele sente dificuldade ao abrir e fechar a boca.

Exames de imagem: Os mais cotados são a tomografia e a ressonância magnética, que, direcionadas à cabeça, obtêm imagens detalhadas da articulação temporomandibular e da sua musculatura. Assim, são capazes de acusar a presença de possíveis alterações.

Eletromiografia: Eletrodos são conectados na região da ATM com o intuito de avaliar a contração e a coordenação muscular por ali. Para tanto, durante o exame, o paciente é convidado a mascar um chiclete ou apertar um rolinho de algodão entre os dentes.

TRATAMENTOS

Placas de mordida: Feitas de acrílico, são indicadas a quem range os dentes à noite ou os força demais quando está tenso. Devem ser usadas principalmente durante o sono.

Reabilitação miofuncional: Com o apoio de um fonoaudiólogo, o paciente realiza exercícios para treinar, por exemplo, a mastigação e para restabelecer a função dos músculos da ATM.

Exercícios fisioterápicos: Eles ajudam a minorar a dor e a recuperar a movimentação ideal da articulação.

Medicamentos: Analgésicos e anti-inflamatórios são coadjuvantes e receitados apenas para eliminar as crises.

Ultrassom: O aparelho emite ondas de som que aquecem a musculatura da ATM, aliviando a inflamação e o incômodo local.

Laser: O de baixa intensidade debela o processo inflamatório e auxilia a aplacar a dor.

Cirurgia: É recomendada para casos mais graves, em que é preciso consertar a articulação para acabar com o tormento.

FONTE: Revista Saúde

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