Crianças com menos anticorpos contra GbpB são mais suscetíveis à cárie


Crianças que possuem anticorpos em menor quantidade contra proteína ligante de glucano B (GbpB), moléculas reconhecidas pelo sistema imune adaptativo que estão relacionadas com a aderência e acúmulo de Streptococcus mutans (principal patógeno da cárie) na placa dentária, têm maior chance de desenvolver lesões de cárie em um ano. Essa é a constatação de um dos estudos da tese de doutoramento da aluna Thaís Manzano Parisotto, aluna do Programa de Pós graduação em Odontologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp, sob orientação da professora da área de Odontopediatria, Marinês Nobre dos Santos Uchôa, com colaboração do professor Daniel Smith do Forsyth Institute, Boston, Estados Unidos.

A pesquisa também demonstrou que crianças livres de cárie foram capazes de elaborar uma melhor resposta imune frente aos antígenos da bactéria Streptococcus mutans que aquelas portadoras da doença. O objetivo da pesquisa foi o de explorar a associação entre o desenvolvimento de cárie precoce da infância, a colonização com microflora cariogênica e imunidade em crianças.

O trabalho recebeu, recentemente, o prêmio IADR/Colgate Research in Prevention Travel Award. A International Association for Dental Research (IADR) é uma entidade secular, que possui 21 grupos científicos de Odontologia integrados por representantes do mundo inteiro. A pesquisa concorreu com estudos de toda a América Latina sendo a escolhida dessa região. Apenas seis pesquisadores de todo o mundo foram contemplados com esse prêmio em 2010, concedido na forma de auxílio viagem.

Na tese de doutorado foram avaliadas longitudinalmente 188 crianças (de 4 anos no início e de 4 e 5 ao final do estudo) de escolas municipais da cidade de Itatiba, em São Paulo. Destas, foram selecionadas 42 para o estudo, as quais foram dividas em dois grupos: 23 crianças livres de cárie e 19 crianças que desenvolveram mais de três lesões de cárie durante um ano de acompanhamento. A saliva dessas crianças foi coletada para avaliação dos anticorpos e a placa bacteriana foi coletada para avaliação dos microrganismos. Isso foi realizado no início do estudo e novamente após um ano, para investigar como os anticorpos e microrganismos se comportariam quanto ao desenvolvimento da cárie. Os exames laboratoriais foram realizados parte em Piracicaba e parte em Boston, explica a doutoranda.

Essa é uma linha de pesquisa que contribui para que futuramente possa ser desenvolvida uma vacina anti-cárie. O objetivo é interferir na virulência do microrganismo (Streptococcus mutans).

Enquanto isso não acontece, explica Thaís, o ideal é que os pais fiquem extremamente atentos com relação à saúde bucal de seus filhos e ao notar o menor sinal de lesões de cárie nas crianças, os levem a um Odontopediatra, o qual dará as instruções e realizará os procedimentos necessários para controlar a doença ainda na fase inicial.

Para finalizar o seu doutorado, Thaís pretende trabalhar com biologia molecular. Ela se aprofundará no resultado da pesquisa descrita acima estudando alterações nos genes de Streptococccus mutans.

Segundo a pesquisadora, a cárie dentária é considerada uma doença infecto-contagiosa e multifatorial desencadeada por três fatores primários: substrato cariogênico, microrganismos cariogênicos e hospedeiro suscetível, os quais interagem em um determinado período de tempo. A ocorrência do processo carioso deve-se à desmineralização (saída de minerais) dos tecidos dentários, promovida por ácidos orgânicos decorrentes da fermentação bacteriana de substratos dietéticos, principalmente os carboidratos.

Como os microrganismos cariogênicos e os fatores imunológicos são importantes na etiologia da cárie em crianças, o estudo desses fatores pode fornecer informações adicionais para o entendimento do processo da cárie precoce da infância e para a prevenção dessa doença, conclui Thaís.

FONTE: Dentistry Brasil

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