Doença Periodontal & Acidentes Cerebrovasculares


RESUMO

As doenças cardiovasculares, entre elas os acidentes vasculares cerebrais, são responsáveis por 20% de todas as mortes anualmente. Estudos têm evidenciado a associação das doenças periodontais com fatores inerentes ao hospedeiro como fumo, doenças sistêmicas, estresse, obesidade e outros.

Recentemente, a doença periodontal tem sido estudada como fator de risco para a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais.

REVISÃO DE LITERATURA

A aterosclerose, que representa a doença cardiovascular mais freqüente e também o principal fator etiológico da mesma, é uma condição crônica progressiva que afeta artérias e músculos, se caracterizando pela formação de ateroma e acúmulo de lipídios/proteínas em contato com grandes e médias artérias. Aterosclerose reduz o lúmen arterial e predispõe à trombose coronária, obstrução e fenômeno isquêmico. Pode ainda provocar eventos súbitos como infarto do miocárdio ou acidentes cerebrovasculares (derrame).

A aterosclerose tem um componente inflamatório, sendo mais que um simples acúmulo de lipídios. A presença de certos agentes infecciosos pode levar a um aumento do risco de doenças cardiovasculares. Neste contexto, as infecções periodontais podem ser consideradas um dos vários fatores que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Embora os mecanismos precisos desta interação não estejam claros, dois mecanismos biológicos podem explicar a relação entre doença cardiovascular e doença periodontal: 1) bactérias da doença periodontal podem entrar na circulação e contribuir diretamente para o processo ateromatoso e trombótico; 2) fatores sistêmicos alteram o processo inflamatório envolvido em ambas as doenças. Estudos interventivos prospectivos são necessários para determinar a ligação exata entre doença periodontal e doença cardiovascular, assim como avaliar se o tratamento periodontal pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença cardiovascular.

Níveis de proteína C elevados em pacientes com doença periodontal e diminuídos durante/após a terapia periodontal demonstram a associação de doença periodontal com níveis sistêmicos elevados de ativadores das proteínas de resposta da fase aguda como a proteína reativa C e haptoglobina. Isso demonstra que a doença periodontal leva a alterações na resposta inflamatória que pode influenciar na ocorrência de acidente vascular cerebral.

Os portadores de doenças periodontais estão expostos às endotoxinas e lipopolissacarídeos de microrganismos periodontais o que afeta a integridade do endotélio, coagulação sangüínea e função plaquetária, assim como provoca uma resposta imunológica com produção de mediadores inflamatórios. Estes levam a um aumento no desenvolvimento de lesões ateroscleróticas e eventos tromboembolíticos.

CONCLUSÃO

Apesar de estudos mostrarem evidências da doença periodontal como fator de risco para os acidentes vasculares cerebrais, os mecanismos biológicos que ligam as duas doenças ainda não estão totalmente esclarecidos. Estudos adicionais devem ser realizados para esclarecer esta associação, bem como medidas preventivas devem ser realizadas, visando prevenir a ocorrência de ambas as doenças.

Por Drª Vivian Bernhard
Especialista em Periodontia & Implantodontia
Habilitação em Laser na Odontologia.
Graduação em Odontologia
REFERÊNCIAS

1. DIAS et al., A Doença Periodontal Como Fator de Risco Para os Acidentes Cerebrovasculares. Pesq Bras Odontoped Clin Integr, João Pessoa, 7(3):325-329, set./dez. 2007

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