Doença Periodontal & Doença Cardiovascular


RESUMO

A doença periodontal é uma infecção crônica que envolve um grande número de bactérias gram-negativas que liberam endotoxinas e citocinas pró-inflamatórias. Esses fatores poderiam predispor o paciente com doença periodontal ao desenvolvimento ou exacerbação de desordens coronárias. Portanto, o objetivo deste trabalho é, através de uma revisão da literatura, estabelecer a importância do conhecimento da doença periodontal como um fator de risco putativo para o desenvolvimento da doença cardiovascular. Além disso, discutir as causas que estão relacionadas ao desenvolvimento de ambas as desordens.

REVISÃO DE LITERATURA

A doença periodontal constitui uma condição inflamatória crônica de caráter infecciosa que acomete os tecidos periodontais de proteção e/ou sustentação do elemento dentário onde, assim como em outras infecções, as interações entre as bactérias e hospedeiro determinam a natureza da doença resultante.

A periodontite é causada por bactérias gram-negativas presentes nos biofilmes dentários. Lipopolissacarídeos e outras substâncias têm acesso aos tecidos gengivais, iniciam e perpetuam eventos imuno-inflamatórios resultando em produção de altos níveis de citocinas pró-inflamatórias. Essas induzem a produção de metaloproteinases da matriz (MMP) que destroem o tecido conjuntivo da gengiva e do ligamento periodontal, bem como prostaglandinas que mediam a reabsorção do osso alveolar.

Observa-se, por fim, que o acometimento dos elementos dentários por essas condições patológicas são dependentes do acúmulo de biofilme supra e/ou subgengival e que os fatores secundários, como por exemplo, as doenças cardiovasculares dependentes da formação de ateromas podem sofrer influência da presença da doença periodontal instalada.

A doença cardiovascular não está totalmente compreendida, mas na atualidade é considerada como de origem inflamatória, caracterizada por altas concentrações de colesterol, principalmente a lipoproteína de baixa densidade (LDL) .

Diversos estudos têm avaliado uma possível associação entre doença cardiovasculares e doença periodontal, com o objetivo de demonstrar uma relação entre a presença da doença periodontal como fator de risco para o desenvolvimento ou agravamento da doença cardiovascular.

Uma teoria é que a bactéria bucal pode afetar o coração quando cai na corrente sangüínea, se ligando a placas de gordura nas artérias coronárias (vasos sangüíneos no coração) e contribuem para formação de um coágulo. A doença na artéria coronária é caracterizada pelo aumento da espessura das paredes das artérias coronárias devido ao acúmulo de gorduras. Coágulos sangüíneos podem obstruir a circulação normal de sangue, restringindo a quantidade de nutrientes e oxigênio necessários para o funcionamento adequado do coração. Isto pode levar a um ataque cardíaco.

Uma outra possibilidade é que a inflamação causada pela doença periodontal aumenta a formação da placa ateromatosa, o que pode contribuir para a obstrução das artérias.

Pesquisadores demonstraram que indivíduos com doença periodontal têm quase duas vezes mais chances de sofrer doenças cardíacas do que indivíduos sem doença periodontal.

A doença periodontal também pode exacerbar condições cardíacas pré-existentes. Pacientes com risco para endocardite infecciosa podem necessitar de antibióticos prévios aos procedimentos dentários. Nossos periodontistas, juntamente com o seu cardiologista serão capazes de determinar se a sua condição cardíaca precisa do uso de antibióticos prévios.

As seguintes condições cardíacas exigem o uso de antibióticos para prevenir a Endocardite Infecciosa antes dos procedimentos odontológicos onde há previsão de sangramento:

  • Prolapso de vávula mitral com regurgitação;
  • Cardiomiopatia hipertrófica;
  • Disfunção valvular adquirida;
  • Malformações cardíacas
  • Vávulas cardíacas protéticas;
  • Endocardite bacteriana prévia;
  • Doença cardiáca cianótica congênita;
  • Circulação cárdio-pulmonar cirúrgica.

Para os pacientes que possuem alguma das condições acima descritas, é importante conhecer quais os procedimentos odontológicos onde a profilaxia antibiótica para endocardite está indicada:

  • Profilaxia (“limpeza”) dos dentes ou implantes em que se prevê a ocorrência de sangramento
  • Extração dentária;
  • Colocação de bandas ortodônticas;
  • Procedimentos periodontais;
  • Procedimentos cirúrgicos, incluindo instalação e reexposição de implantes dentários;
  • Instrumentação endodôntica ou cirurgia além do ápice radicular.

Cabe ao cirurgião-dentista realizar um rigoroso levantamento da história médica dos seus pacientes, a fim de determinar de maneira consciente os casos de indicação de um regime profilático e o antimicrobiano mais adequado, além de orientá-los para uma boa higienização bucal com o propósito de não haver demasiada proliferação de microrganismos causadores da infecção.

É bom lembrar que, caso você seja necessário de cirurgia cardíaca, uma avaliação bucal prévia feita por um periodontista diminuirá os riscos de complicações pós-operatórias.

CONCLUSÃO

Existem indícios que mostram que a relação entre as doenças periodontal e cardiovascular possa existir. O papel biológico da doença periodontal como um fator de risco putativo para desenvolvimento ou exacerbação da doença cardiovascular vem sendo elucidado ao longo de diversos estudos apesar de algumas pesquisas não encontrarem relação entre tais patologias.
Porém, ainda são necessários novos trabalhos que permitam aferir a força com que a doença periodontal se associa com a doença cardiovascular, tentando controlar diversos outros fatores de risco para tal doença, eliminando vieses importantes. É de extrema importância que os profissionais da área de saúde se conscientizem da possível existência desta relação, tratando ou encaminhando pacientes para tratamento periodontal, diminuindo, dessa forma, mais um possível fator de risco para as doenças cardiovasculares.

Por Drª Vivian Bernhard
Especialista em Periodontia & Implantodontia
Habilitação em Laser na Odontologia.
Graduação em Odontologia

REFERÊNCIAS

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